População em declínio de conchas gigantes aumenta seu risco de extinção

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Pesquisa indica que as conchas-cavalo da Flórida (EUA), um dos maiores invertebrados do mundo, estão se tornando cada vez mais raras, e sua expectativa de vida é menor do que o pensado.

As populações das conchas-cavalo, o animal do estado estadunidense da Flórida, comum nas suas propagandas turísticas, estão em declínio. Crédito: Stephen Hesterberg / USF

A população das conchas-cavalo, ou Triplofusus giganteus, uma das maiores espécies de invertebrados do mundo, está em acentuado declínio. O animal marinho, encontrado nas praias da Flórida (EUA), pode chegar a 0,6 metros de comprimento, e está sofrendo devido a coleta recreativa e comercial, em busca de suas enormes conchas. 

Segundo dados da Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC, em inglês) coletados a partir dos relatos de pescadores locais, a população destes invertebrados cai desde 1996, quando um pico de 14.511 animais foram registrados. Nos anos 2000, o número caiu para 6.124, seguido por 1.461 em 2015 e 67 em 2020.

Uma pesquisa realizada pela Universidade do Sul da Flórida (USF, em inglês) em parceria com a FWC, publicada no periódico PLOS ONEajuda a entender as razões desse declínioOs pesquisadores analisaram diversas conchas vazias dos invertebrados, armazenadas no Museu Nacional de Conchas Bailey-Matthews em Sanibel (Flórida), para evitar de coletá-las na natureza e pressionar ainda mais a população escassa.

Através dessas conchas, o grupo avaliou o tempo de vida dos invertebrados. Durante seu crescimento, eles formam novas camadas em suas conchas, diferentes quimicamente uma da outra, pois são afetadas pela temperatura da água no ano em que se formaram. Em uma análise geoquímica, é possível diferenciá-las, e contar seu número como os anéis de crescimento de uma árvore. 

Pesquisadores medem as conchas vazias coletadas. Crédito: Lorin Buckner, Museu Nacional de Conchas Bailey-Matthews

Os resultados indicaram que a expectativa de vida antes associada ao animal, cerca de meio século, estava errada; as conchas-cavalo vivem entre 8 e 10 anos, em média. O maior dos espécimes disponíveis (0,6 metros de comprimento) possuía 16 anos. 

A reavaliação é preocupante, pois indica que os animais morrem mais rapidamente e têm menos tempo de vida para se reproduzir e repôr os indivíduos que morrem por causas naturais ou são coletados – as fêmeas atingem sua idade reprodutiva relativamente tarde, com 6 anos, e é estimado que toda a população coloque apenas 28 mil ovos por ciclo. 

Os pesquisadores determinaram esta idade reprodutiva ao analisar a composição química de cada um dos “anéis” das conchas. Um pico na quantidade de carbono indicava a maturidade nas fêmeas. 

O grupo também mediu o quanto as conchas-cavalo cresciam em cada ano ao enrolar um fio em volta de cada “anel” e medir seu comprimento em seguida. Os machos atingiam a maturidade em tamanhos menores, enquanto as fêmeas crescem mais rapidamente, e atingem a maturidade muito maiores — outro dado preocupante, pois as coletas de conchas miram espécimes grandes.

“Nossa pesquisa mostra que a reprodução das conchas-cavalo é menos provável de conseguir acompanhar os níveis de coleta do que antes pensado”, afirma o autor principal Greg Herbert, professor associado na Faculdade de Geociências da USF. “As populações de conchas-cavalo são importantes. Elas criam um habitat para outras espécies ao deixar as carapaças vazias de suas presas para trás, e peixes, caranguejos e outros animais as usam como casa. Elas também contribuem para a experiência única que temos na Flórida de poder ir à praia e ver uma das maiores conchas do mundo na beira d’água.

A pesquisa coletou algumas conchas-cavalo em seu habitat. Eles afirmam que, conforme viajavam para o norte, o tamanho dos espécimes ficava menor, possivelmente pelo excesso de coleta.

Coleta de espécimes na Baía de Tampo, Flórida. Crédito: USF

“Ainda sabemos muito pouco sobre a maneira como conchas-cavalo vivem e onde estão seus habitats preferidos, ou quais são suas melhores condições ambientais”, afirma o coautor Stephen Geiger, pesquisador da FWC. “Como não temos nenhum financiamento dedicado para as mais de 1.500 espécies de moluscos encontradas nas águas que rodeiam a Flórida, continuamos a procurar por concessões que nos permitam estudar suas características biológicas, incluindo as que irão ajudar administradores a decidir se algumas espécies necessitam de melhor proteção.”

Publicado em 15/04/2022.

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